O PAPEL DA INVESTIGAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE E SEUS REFLEXOS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA

João Roberto Liparotti

Resumo


A área da Educação Física ainda está longe de ser reconhecida no âmbito escolar brasileiro. Basta verificar as condições precárias e insuficientes que os profissionais recebem para sua atuação. Sequer a presença deles está garantida por lei em todos os graus de ensino. Pesquisas nacionais incluem indicadores de saúde (PENSE e o VIGITEL) apontam resultados e associações que podem definir prioridades nas futuras intervenções. A avaliação periódica do perfil do estilo de vida ativo e saudável dos estudantes pode caracterizar as necessidades e prioridades nas intervenções pedagógicas por meio da disciplina Educação Física nas escolas, com ações interdisciplinares nas diferentes faixas etárias. Um dos fatores sociais determinantes e causais em países, estados, regiões, município ou bairros, tem sido apontado: vulnerabilidade: considerada aqui como conjunto de aspectos sociais, políticos e culturais que, relacionados a determinado contexto social do indivíduo ou do grupo, podem provocar situação de maior ou menor exposição a doenças e agravos. O conceito de educação em saúde supera o conceito de promoção da saúde, inclui a tomada de decisão de cada indivíduo e comunidade em relação ao cotidiano e envolve aspectos físicos e mentais (abordagem integral do processo saúde-doença), pessoal (ética), igualdade social (corresponsabilidade) e ecológica (sustentabilidade). Objetivos sistematizados com ênfase na Educação Física Escolar para Saúde: 1) Submeter-se a uma rotina periódica de medidas e testes para uma auto-avaliação do crescimento e desenvolvimento motor; 2) Analisar, interpretar e formar conceitos sobre a aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho motor adequado e máximo; 3) Adotar um estilo de vida ativo e saudável. Um dos problemas que se coloca a um pesquisador é como? E porque estudar estilos de vida? Objeto de estudo das Ciências Sociais (Sociologia e Etnologia) e/ou Psicologia social ou cognitiva, da Saúde Coletiva, Epidemiologia da Atividade física/Saúde? Estudos do tipo descritivo, transversal de caráter exploratório podem ter como objetivo descrever o estilo de vida individual de esportistas ou não. Crianças e adolescentes, tradicionalmente são mais vulneráveis aos efeitos das horas de estudos, às sobrecargas de treino, à falta de equilíbrio entre o descanso e as atividades, ao estresse (provas, brigas e competições), a uma dieta desequilibrada, a aquisição de vícios (consumo de álcool, drogas e o tabagismo). As pesquisas sobre a atividade física e modificações de atitudes em adultos jovens são recentes e necessitam de delineamentos com seguimentos longitudinais em amostras aleatórias e representativas das populações de risco potencial. O papel da investigação na área da saúde deve atender o conceito de equidade, que considera as desigualdades sociais como injustas e evitáveis, implicando na adoção de ações pessoais, profissionais, comunitárias e governamentais para atender às diferentes necessidades da população, em especial as relacionadas à saúde. Os reflexos para a Educação Física sejam que todos tenham conhecimentos, atitudes, vivências nas habilidades e competências em Educação para a Saúde. É preciso que existam ambientes favoráveis nas Cidades e Escolas saudáveis, acesso a experiências, gestão e a oportunidades que permitam escolher por uma vida mais ativa e saudável.

Palavras-chave: Estilo de vida. Educação para Saúde. Educação Física Escolar. Pesquisa em Saúde. Atividade Física. Equidade.

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