CORPOS DISSIDENTES NA EDUCAÇÃO FÍSICA: RESSIGNIFICAR É EDUCAR

ARYANNE SÉRGIA QUEIROZ DE OLIVEIRA

Resumo


O presente trabalho pretende abordar os conhecimentos sobre a existência de dois estereótipos de gênero ― homem e mulher ― no meio sociocultural e educacional, os quais acabam marginalizando as pessoas que se autodeclaram transgêneros, ou seja, aquelas que não se encaixam no modelo binário estabelecido. No ambiente escolar, principalmente nas aulas práticas da disciplina de Educação Física, os corpos são vislumbrados de modo bastante claro e objetivo, tratados de acordo com o padrão de gênero dicotômico feminino/masculino, contribuindo para o preconceito perpetuar-se contra os sujeitos-corpos dissidentes. O isolamento, a exclusão e a evasão escolar de pessoas não binárias acontecem com frequência, posto que a prática educativa desportiva ainda não consegue agregá-las, em razão da discriminação de gênero presente na sociedade que reflete no ambiente educacional e vice-versa. Há um reforço no ambiente educacional por parte dos/as docentes que ministram as aulas práticas desportivas, refletindo a discriminação que ocorre na sociedade em relação aos indivíduos, posto que trata essa divisão homem/mulher como algo dado pela natureza. A “naturalidade” da separação binária ocorre nas atividades da Educação Física, tratando alguns esportes como eminentemente femininos e outros como distintamente masculinos. Com isso, criam-se expectativas aos sujeitos-corpos, querendo moldar aqueles que biologicamente são considerados como homens aos esportes mais agressivos, enquanto que aos biologicamente definidos como mulheres, cabem os esportes mais amenos, menos violentos. Dessa forma, há um controle dos corpos pelo poder disciplinar, docilizando-os, como Michel Foucault bem ressalta. A Educação Física adapta os corpos-cidadãos ao que a sociedade exige, fazendo com que os homens apliquem a sua força para estimular a economia e estimulando as mulheres a serem subservientes e dóceis. Percebe-se também que há uma carência de tratamento igualitário entre pessoas binárias e não binárias e que os/as docentes precisam voltar os seus olhares para os corpos dissidentes, ressignificando-os de modo positivo e abandonando o preconceito. O procedimento metodológico dar-se-á através de pesquisa bibliográfica, tentando abordar os olhares acerca das pessoas que não se moldam aos padrões heteronormativos vigentes dentro da disciplina prática de Educação Física.Palavras-chave: Educação; Gênero; Corpos Dissidentes; Ressignificação.

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