ESCOLA: DISCUTINDO O “ÓBVIO”

ALBERTO ASSIS MAGALHÃES, HELDER CAVALCANTE CÂMARA

Resumo


O presente trabalho emergiu da reflexão que se estabeleceu na disciplina Estágio Supervisionado I, componente curricular obrigatório do Curso de Educação Física, do Campus Avançado Profª “Maria Elisa de Albuquerque Maia”, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Nessa, a escola foi posta em evidência, o que fez se mostrar em suas peculiaridades, desde um entendimento naturalizado das percepções relativas a essa instituição de ensino, até as possibilidades de desenvolver ações que participem efetivamente da formação de um sujeito ativo para o mundo, bem como o ser alienado em suas formas de ser e agir. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, onde para a realização da mesma, pesquisamos artigos no banco de dados da Scielo utilizando as palavras na ordem a seguir: Escola, Classes sociais. Desta, foram encontrados 21 artigos, porém, apenas 2 foram selecionados por tratar o tema em que nos propusemos a discutir, quais foram: O texto, de Saavedra, (2015), intitulado Inteligência como dispositivo de poder; e o texto Desigualdade social e sistema educacional brasileiro: a urgência da educação emancipadora, de autoria de Guzzo e Euzébios Filho (2005), visto que esses tratavam da reprodução dos capitais culturais dos grupos hegemônicos. Além desses, as nossas discussões entrelaçaram-se nas obras de Bourdieu (2003), A escola conservadora, Freire (1987), Pedagogia do oprimido, Nietzsche (2007), Sobre a verdade e a mentira no sentido extra moral, nos artigos de Catani (2012) A escola como ela é, Nogueira e Nogueira, A sociologia de Pierre Bourdieu: limites e contribuições (2002) e, Um Arbitrário Cultural Dominante (2012), bem como outras produções que puderam fazer efervescer nossas reflexões à cerca da escola. É necessário ratificar que não pretendemos dizer que a escola assumiria, tão somente, a função de reprodutora das estruturas sociais vigentes, principalmente aquelas pautas nas elites dominantes, todavia nos ativemos de modo intencional, a descortinar a percepção de que a escola seria, simplesmente por existir, a redentora dos problemas sociais. Se considerar que as compreensões sobre a escola e a vida não podem ser considerados como naturais. Provavelmente por um efeito cultural continuamos tomando o sistema escolar como um fator de mobilidade social, segundo a ideologia de uma espécie de “escola libertadora”, no sentido de que, a imersão na escola seria o suficiente para nossa assunção enquanto sujeitos. Esquecemo-nos ou ficamos apercebidos do outro lado que a escola pode assumir, como um espaço de conservação social, e da legitimação da classe dominante, pois fornece a aparência de legitimidade às desigualdades sociais, e sanciona a herança cultural e o dom social tratado como dom natural.Palavras-Chave: Escola; Luta de Classes; Reprodução da cultura hegemônica.

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