Trilhas Filosóficas, Vol. 9, No 1 (2016)

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É possível falar de deus na época do niilismo?

Giuseppe Tosi

Resumo


o artigo problematiza a questão que lhe serve de título: é possível falar de Deus na época do niilismo? O ponto de partida é o reconhecimento do niilismo como “destino”, “cifra”, “espírito” do nosso tempo, ou seja, o início de uma época de decadência, mudança e desvalorização de todos os valores que provoca a chamada “crise dos paradigmas” religiosos, metafísicos, ético-políticos, estéticos e epistemológicos. Esta crise, porém, não deixa um mero vazio: os paradigmas perdidos foram substituídos por um novo que está se tornando dominante, que é o paradigma técnico-científico. A crítica à técnica enquanto destino do nosso tempo está levando a duas posturas opostas: ora para uma impossível volta ao passado, ora para uma atitude de impotência para com o futuro. Após analisar várias alternativas possíveis para um discurso racional sobre Deus, no interior e para além do niilismo, o autor conclui que a religião, apesar de todas as críticas, tem uma grande chance de sobreviver porque o sentimento religioso é uma dimensão originária da condição humana e porque os seres humanos precisam de fortalecer os laços de identidade e solidariedade orgânica e de segurança diante do mistério e dos perigos do mundo. Mas a religião (em particular a cristã) precisa se reinventar profundamente aceitando as “lições” do niilismo: assumir uma postura mais prudente contra o fundamentalismo, o dogmatismo, o fanatismo, a intolerância, a violência; não fazer de Deus um objeto a ser manipulado para os nossos interesses “mundanos”; e renovar o grande e insuperável legado ético do cristianismo, que se manifesta mais na ortopraxis do que na ortodoxia. Talvez seja este o caminho mais promissor para “falar de Deus na época do niilismo”.

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